Associação da Mocidade Católica de São Mateus

Sem conhecimento documentado sobre a data de constituição da Associação, e consultados que foram alguns paroquianos e ainda através de informação retirada da net, julga-se ter surgido depois de 1922, no seguimento dum conjunto de movimentos criados pela Igreja Católica, visando ampliar a sua influência na sociedade, através da inclusão de sectores específicos do laicado e do fortalecimento da fé religiosa, com base na Doutrina Social da Igreja, designado de Acção Católica, fundada pelo Papa Pio XI.

O único documento existente nos arquivos da Associação que possa aludir à sua constituição, é um livro com o registo de sócios. Apesar de promulgadas as bases orgânicas da Acção Católica em Portugal, pelo Episcopado no ano de 1933, o sócio n.º 1 inscrito naquele livro data de 3 de Fevereiro de 1924. Trata-se do Sr. Manuel Fialho de Faria tendo como beneficiária, sua esposa, Clara Soares de Faria. Portanto, sem outra referência plausível, poderá ser legítimo considerar esta a data de fundação da Associação Mocidade Católica, ou Irmandade da Trindade, como também é conhecida. Isto porque, a festa anual acontecia no Domingo da Santíssima Trindade, tendo, mais tarde, passado a realizar-se no 1º Domingo de Julho, essencialmente pela dificuldade na obtenção de Banda de Música, mas também devido ao regresso temporário dos emigrantes que apareciam por esta altura para “matar saudades”.

Pela análise feita a este documento, verifica-se que em 1929 há uma forte onda de desistências por parte dos associados dos lugares de Ginjeira e Relvas, que ficou a dever-se, presumivelmente, pelo surgimento da Irmandade de São João na Ginjeira.

Sem fundamentos plausíveis sobre o que era o objecto da Associação, e uma vez mais tendo recorrido aos paroquianos e aos registos encontrados em termos de actas e contabilidade, arriscamos dizer que a tradição, na generalidade, se tem mantido ao longo dos anos, adulterada apenas pela evolução dos tempos.

Refere-se, a título de exemplo destas mudanças, a obrigatoriedade que existia de sufragar as almas dos associados e de acompanhar à sepultura os cadáveres, mediante o pagamento de uma coima, se verificasse o incumprimento deste dever. Hoje, como é óbvio, seria inexequível tal medida.

A realização da festa anual, com Terço Cantado ao Divino Espírito Santo, procissão com Coroa e Estandarte, acompanhados pelos associados e Banda Filarmónica, entrega de pão às viúvas dos “irmãos” falecidos, pagamento de missas por alma dos defuntos dos irmãos e beneficiários, são algumas das principais tradições herdadas e ainda hoje perpetuadas.

Em 1997, mediante promessa, foi oferecido um almoço de Sopas do Espírito Santo aos associados, no dia da festa. A ideia foi bem acolhida e tem sido mantida desde então. Com isto, foi também associada à nossa festa, a Imagem da Rainha Santa Isabel, símbolo de benevolência e de partilha, associada à instituição em Portugal, das festas em louvor do Divino Espírito Santo.

Em 1933 foi erguida uma ermida, no Largo do Passo; tendo sido constituída sede desta associação desde essa data. Neste imóvel, está bem presente toda a simbologia inerente à 3ª. Pessoa da Santíssima Trindade, sendo o seu maior expoente a coroa colocada no pequeno altar. Esta coroa, provavelmente a de maior dimensão que se poderá encontrar em toda a ilha, foi doada em 1970 pela comunidade lusa, emigrante na cidade norte-americana de São Leandro, na Califórnia.

No que toca à expressividade desta Associação na comunidade, manifestada de alguma forma pelo número de associados, salienta-se que em 2010 foi ultrapassado a terceira centena de associados (318 em 2013).

Em finais do ano de 2004, foi solicitado à Irmandade, pela Direcção Geral das Contribuições e Impostos, a comunicação do Número de Identificação de Pessoa Colectiva, visto possuirmos inscrito um imóvel sem este dado identificativo. Para proceder à constituição de Associação era necessário possuirmos estatutos devidamente elaborados para o efeito. Contudo, os estatutos que regiam a Associação até à data teriam sido revogados pela promulgação do Código de Direito Canónico em 1983.

Foram elaborados, aprovados e escriturados a 14 de Junho de 2005 os actuais Estatutos, que, embora civis, primaram por objecto fomentar actividades de índole religiosa, como também social e cultural.